
Mesmo comovida senti também muito orgulho ao lembrar daquele de quem herdei o meu jeito de ser, minha alma sensível e minha forma de escrever ao colocar sentimentos no papel da mesma maneira como os coloco em minha vida. Papai não completou o segundo grau; saiu de casa em virtude do segundo casamento de meu avô após a morte de sua adorada mãe, minha avó Isaura. Deixou sua cidade natal, no interior de São Paulo devido às incompatibilidades com a madrasta e veio para a Capital onde conheceu minha mãe e se apaixonaram!
O mais incrível é que ao ler essas cartas, escritas com letras lindas, que parecem delineadas para convites especiais, impregnadas de sensibilidade, pureza, amor e paixão, qualquer pessoa jamais acreditaria que foram escritas por um jovem de vinte anos na época, que estudou por pouco tempo e teve que trabalhar com sacrifício, lutar por seu sustento, morando quase pobremente numa pensão mesmo sendo filho único de uma família abastada. Papai era um POETA! Tudo que escrevia transpirava sentimentos puros, extravasados em momentos mágicos...
Papai gostava de presentear minha mãe em datas especiais e colocava sempre junto ao presente um lindo cartão manifestando todo o seu amor e extrema dedicação. Creio que pouquíssimos homens souberam, sabem ou saberão amar tão verdadeiramente uma mulher como meu pai amou a minha mãe.
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